Mamíferos únicos

Os morcegos são mamíferos, e consequentemente apresentam todas as características típicas de um mamífero: são homeotérmicos, têm pelo e orelhas externas, apresentam desenvolvimento intra-uterino e amamentam as suas crias. Os morcegos apresentam, no entanto, algumas adaptações invulgares, que os distinguem de outros mamíferos. 


Voo activo

Os morcegos são os únicos mamíferos capazes de manter voo ativo, característica que se reflete no nome da ordem a que pertencem (Chiroptera) e que está relacionada com o facto destes “Voarem com as suas mãos” (Chiro= mão, Ptera= asa). A conquista do ar pelos morcegos foi possível através da transformação do braço e da mão numa asa.
A principal vantagem no voo é a diminuição dos custos de transporte. Voar exige o dobro da energia que correr, mas por outro lado um animal em voo é muito mais rápido. Deste modo, um morcego pode poupar cerca de 5 vezes mais energia que um organismo não voador das mesmas dimensões. Esta vantagem possibilita aos morcegos fazerem distâncias consideráveis entre abrigos e entre abrigos e áreas de caça. O voo possibilita também o acesso a novas fontes de alimento, como os insetos voadores e o uso de abrigos que se tornam seguros da maior parte dos predadores.

 

De cabeça para baixo

Para os morcegos estar pendurado de cabeça para baixo não exige esforço. É a posição ideal para começar o voo porque basta soltar os pés e deixar-se cair. Quando se agarram ao teto de uma gruta é o seu próprio peso que faz com que os tendões das garras bloqueiem e assim o resto do corpo fica relaxado. Os tendões são tão fortes que mesmo um morcego morto pode continuar pendurado!
Por que razão o sangue não lhes desce à cabeça? Porque o volume de sangue é tão baixo que a gravidade não afeta a circulação.

 

Orientar-se na completa escuridão

Os morcegos insetívoros têm a capacidade de caçarem e de se orientarem na completa escuridão devido a um sistema denominado “ecolocação”. A ecolocação é, como o próprio nome indica, a localização de um objeto através de um eco.
Os morcegos emitem constantemente sons de alta frequência (entre os 20 e os 215 kHz), inaudíveis para os humanos, e chamados ultrassons. 
Os ultrassons, produzidos na laringe e emitidos pela boca, ou, no caso dos morcegos-de-ferradura, pelos nostrilos (apêndices nasaia), propagam-se no ar até embaterem num obstáculo, e serem enviados para trás na forma de eco. Estes ecos possibilitam assim a identificação de qualquer objeto que se encontre no caminho de um morcego em voo, como por exemplo os insetos de que se alimentam. Possibilitam ainda o reconhecimento do tamanho, forma e textura destes objetos, assim como a distância a que se encontram, e se estes objetos se encontram ou não em movimento. O sistema de ecolocação é tão eficaz que permite aos morcegos a deteção de insetos do tamanho de mosquitos e de objetos tão finos como um cabelo humano.